É indiscutível a importância dos sindicatos para o fortalecimento da luta de classes. Os sindicatos desempenharam um papel decisivo na organização da classe trabalhadora, o que favoreceu, ao longo da história, o restabelecimento da democracia brasileira. Esse papel é hoje decisivo e indispensável, nesse cenário de golpes constantes contra a nossa democracia e os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores, não podemos descansar nenhum minuto na defesa de ambos.

Dito isto, os sindicatos assumem a responsabilidade de lutar pela garantia dos direitos conquistados e avançar mais. Esse compromisso é elemento crucial na luta por uma sociedade mais justa e igualitária. Portanto, entendemos que os sindicatos não podem desconsiderar a importante participação das mulheres em todas as lutas e conquistas. Não podem, de maneira alguma, os sindicatos, estarem alheios ao recorte de gênero nem à luta e organização das mulheres nos espaços políticos de decisão, embates e conquistas.

Todas e todos temos consciência do quão difícil é a participação das mulheres nos espaços de poder e decisão política, mas também temos a capacidade para entendermos que essa participação é urgente e necessária para que possamos avançar na luta por uma transformação social profunda. Logo, a luta das mulheres e a autoafirmação feminina estão intimamente ligadas à luta de classes. Engels já nos disse, outrora, que “o primeiro antagonismo de classe que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher na monogamia e a primeira opressão de classe coincide com a opressão do sexo feminino pelo sexo masculino”, (ENGELS, 1979).  Por isso, é preciso entender que apenas resolvendo o problema de classe  não teremos resolvido a opressão histórica que a mulher sofre na sociedade, porque as raízes da opressão de gênero são mais profundas e não estão ligadas apenas ao fator econômico, e sim ao fator estrutural de formação e organização das sociedades no decorrer da história da humanidade. Contudo, deixamos claro que numa sociedade baseada nos conceitos estruturais da exploração e do patriarcalismo é impossível que consigamos a total libertação de todas as mulheres, pois não existe alternativa para avançarmos de maneira eficaz numa sociedade capitalista que intensifica todas as opressões, inclusive as de gênero, “sem o socialismo a mulher não será emancipada”.  Nesse ponto, entra a importância vital para o movimento feminista que as mulheres ocupem os espaços em sindicatos que coadunem com a ideia de que podemos conquistar um modelo de uma sociedade livre de opressão e exploração de um gênero sobre o outro. Entendemos que os sindicatos organizam a classe trabalhadora não apenas para as lutas imediatas e corporativistas, mas para o despertar de uma consciência de classe das categorias organizadas para que todas e todos, juntos, conquistemos um modelo de organização social que seja viável para toda sociedade.

Para concluir, ratificamos a importante participação das mulheres organizadas e conscientes do seu papel político na luta sindical e o compromisso dos sindicatos em levantar a bandeira da luta feminista como forma de reconhecer e garantir que as mulheres continuem​ protagonizando o processo de libertação e emancipação feminina sem perder o foco, óbvio, da luta de classes, deixando claro que “quando uma mulher avança, o machismo retrocede” e que juntos podemos seguir na luta em busca de igualdade entre todas e todos.

O Sindicato Apeoc não está alheio à importância de fortalecer o debate sobre o feminismo e se compromete a lutar lado a lado com todas as bravas guerreiras que carregam todo o peso do machismo e da opressão de séculos, mas que não esmorecem e continuam na luta “até que todas sejamos livres”.

Fernanda Sousaprofessora da rede pública estadual e integrante do Coletivo de Mulheres do Sindicato APEOC