Educação no Ceará depende de professor e decisão política de governo

Imprimir

Não adianta tapar o sol com peneira nem o governo do Estado transferir para os professores da Educação Básica a responsabilidade pelos fracassos no seu sistema educacional de ensino. Portanto, divulgar como grave empecilho à qualidade da educação, a falta do professor ao expediente na escola, é propositadamente, tentar transferir responsabilidade e ainda induzindo à sociedade acreditar em meia verdade, como se verdade pudesse ser dividida.

Governador Cid Gomes, talvez os graves problemas da educação na rede pública de ensino, não residam nas “faltas” de expediente dos professores, e sim, na falta de professor concursado e de salário justo à função pública que exerce no contexto social de educar.

O professor, quando falta ao expediente por razão de doença é encaminhado ao setor de saúde do Estado, ISSEC e examinado por especialistas, também servidores do Estado e conscientes das responsabilidades de suas ações civis e criminais. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera a profissão de professor como uma das mais perigosas e com maior incidência de doenças do trabalho, chamadas psicóticas adquiridas na escola e que levam o professor à depressão, ao alcoolismo e a outros distúrbios esquipáticos. A violência na escola é uma realidade e o que tem feito o governo contra essa intranqüilidade? Não devemos esquecer que ainda contra o professor existe uma péssima remuneração, estimulando a queda da auto-estima profissional.

Governador Cid Gomes, na escola pública ainda trabalham 11 mil professores sem concurso público, sem estabilidade, sem efetiva segurança e sem vínculo empregatício com o Estado. Nesse contingente de 11 mil professores com contrato temporário, 20% são de estudantes sem a devida habilitação profissional. No ranking nacional, o estado do Ceará ocupa o décimo quarto lugar de pior remuneração. No ranking Nordeste, o Ceará ocupa o quarto lugar de pior remuneração, vencendo apenas os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Entre os 26 estados brasileiros pesquisados, o Ceará é o décimo terceiro estado de pior salário-base, assim como é o sexto pior em hora/aula. Paga apenas R$ 6,63. No Ceará, um professor, na carreira inicial, nível 13, percebe por mês R$ 1.327,66, por 40 horas/aula semanais. Esse salário corresponde 2,85 salários mínimos.

Governador Cid Gomes, antes de culpar o professor, o governo de Vossa Excelência deve assumir as suas responsabilidades com a educação.

Editorial do Sindicato – APEOC.