01 Fevereiro 2010
Estabilidade e efetividade no emprego são perspectivas de segurança garantida na vida profissional de qualquer trabalhador brasileiro e somente o serviço público nacional oferece, constitucionalmente, essa aparente tranqüilidade que faz despertar excepcional desejo de trabalhar no serviço público, que seja da União, dos Estados ou dos Municípios.
A partir dessa concepção nasce o interesse de uma grande maioria dos jovens brasileiros pelo concurso público e o extraordinário número de candidatos inscritos são provas explícitas dessa realidade que se acalenta ser o emprego em repartição pública sonho dourado de vida financeira estável e com poder aquisitivo suficiente a atender as necessidades básicas do trabalhador.
Ledo engano: estabilidade e efetividade nem sempre significam vida estável em todas as carreiras funcionais no serviço público. Em muitas das categoriais funcionais não existe estimulo patronal, no caso, dos gestores públicos, a exemplo do Magistério Público, especialmente, na Educação Básica, onde não existe um mínimo de segurança física na escola; não existe ambiente de trabalho que ofereça oportunidade de pesquisas, de estudos e de interação entre pessoas que deveriam estar interligadas nos objetivos preestabelecidos pelas doutrinas do melhor servir à comunidade escolar; e, ainda entre esses obstáculos, existem irrisórios salários pagos pelos governantes públicos, humilhando o professor diante das demais carreiras funcionais de igual nível superior. O professor tem o menor salário.
O professor da Educação Básica, na rede pública de ensino, hoje é um trabalhador, profissionalmente emigrante, pois está deixando o Magistério Público em busca das mais diversificadas atividades funcionais dentro do serviço público, participando de concursos que lhe distancie de sala de aula, assim como está o professor procurando outros empregos na iniciativa privada, estimulado pela melhor oferta de valor salarial.
Para comprovação dessa realidade, o Sindicato APEOC vem acompanhado e pesquisando as publicações dos Diários Oficiais no âmbito dos poderes públicos e tem comprovado que é crescente o número de pedidos de exoneração, solicitados pelos professores da Educação Básica, na rede pública de ensino do Estado, especialmente. Outro fator que está motivando o crescimento das carências de professores em sala de aula, segundo também as edições dos Diários Oficiais, são os pedidos de afastamento para tratamento de saúde e sempre causados por doenças psicóticas adquiridas no ambiente de trabalho e que levam o professor à depressão, ao alcoolismo e outros distúrbios esquipáticos. A presença da violência na escola é uma realidade que exige imediata providência do poder público, antes que a marginalidade assuma o controle das atividades de Estado e faça crescer o desespero dos que são mal remunerados e excluídos pelos que juram ter compromisso com a educação. Durante as campanhas eleitorais são inúmeras as promessas de prioridade ppara a educação e quando eleitos os politiqueiros esquecem suas promessas nas propostas orçamentárias de governo.
O Estado do Ceará ostenta a sexta pior educação entre as demais unidades da federação e paga ao professor, na carreira inicial, R$ 1.327,60 por 40 horas semana. Isso significa dois expedientes por dia.
Sem educação não há cidadania.
Editorial do Sindicato APEOC.
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