04 Dezembro 2009
Pela primeira vez no Brasil, desvenda-se o véu da hipocrisia camuflada pelos gestores públicos sobre salário de professor na rede pública de ensino da Educação Básica. A revelação veio à tona depois de criteriosa pesquisa técnica das entidades de trabalhadores: Sindicato – APEOC, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e Central Única dos Trabalhadores. A coletânea de dados ocorreu em 26 estados da federação brasileira, excluindo o Estado do Mato Grosso do Norte, não pesquisado. Essa pesquisa faz surpreendentes revelações sobre uma realidade na educação pública: péssimos e irrisórios salários de professores a partir do nível inicial na carreira de magistério até o topo da carreira: doutorado.
É impressionante o contraste entre os valores salariais de cada estado. O diagnóstico mostra situação salarial; condições de trabalho e ensino; saúde do trabalhador em educação; e falta de segurança na escola.
Esse trabalho do Sindicato – APEOC, CNTE e CUT proporciona à sociedade refletir sobre a educação que se deseja para o futuro do Brasil e bem-estar da sua nação. Mostra a falta de investimento no potencial humano, em particular, no professor; mostra desestímulo e as consequências que refletem na qualidade do ensino e no aproveitamento do aluno. Por queda, a sonhada educação com qualidade deixa o nosso país na humilhante condição de pior dos ensinos públicos no ranking internacional.
A pesquisa do Sindicato – APEOC, CNTE e CUT ainda mostra os mais diversificados níveis de salários nas redes estaduais de ensino de todas as regiões do Brasil. O melhor salário de professor é no Distrito Federal: R$ 3.227,87 por 40 horas de trabalho, seguido dos estados do Maranhão, Roraima, Mato Grosso do Sul e Acre.
O pior salário de professor no Nordeste, carreira inicial, é nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará.
No ranking nacional, o estado do Ceará ocupa o décimo quarto lugar de pior remuneração. Remuneração é a soma do salário mais gratificações.
No ranking Nordeste, o Ceará ocupa o quarto lugar de pior remuneração, vencendo apenas os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Entre os 26 estados brasileiros pesquisados, o Ceará é o décimo terceiro estado de pior salário-base, assim como é o sexto pior em hora/aula. Paga apenas R$ 6,63. O Distrito Federal paga R$ 16,13. O Ceará vence somente o Rio Grande do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte, Goiás e Pernambuco.
No Ceará, um professor na carreira inicial, nível 13, percebe por mês R$ 1.327,66, por 40 horas/aula semanais. O salário de R$ 1.327,66 corresponde 2,85 salários mínimos. Em passado recente, um professor do Liceu percebia o equivalente ao salário de desembargador, hoje, aproximadamente R$ 24.000.
Senhor governador Cid Gomes, construir escola é essencial à educação, porém, é somente uma coluna no tripé da educação de qualidade. Portanto, simultaneamente é necessário investir também nas duas outras colunas: no professor e no aluno.
Editorial do Sindicato – APEOC.
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