Seção do Colaborador
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28 Novembro 2011
Ilmo(a) Sr(a),
Sou filiado ao sindicato Apeoc há uns 6 anos e gostaria de formalizar meu repúdio ao que aconteceu com os professores do interior do estado do Ceará que participaram da Assembléia Geral do dia 25 de novembro. Estive presente, votei a favor da não paralisação das aulas por que fui influenciado por todas as informações passadas pelo sindicato em seu site durante o mês de negociação com a Seduc. Todas as informações ali postadas foram claras e transparentes, além de elucidativas e suficientes para uma reflexão justa sobre o que era importante para a categoria no presente momento.Fui a Fortaleza também para saber das razões de quem era a favor da paralisação e o que pude presenciar foram planfetos que não contra-argumentaram as propostas do governo e tão pouco do sindicato Apeoc. Vi muitos cartazes e baners com frases e palavras de ordem que não diziam nem convenciam ninguém ali presente. E muita truculência, desrespeito e preconceito com colegas de trabalho do interior do estado.
Vi também uma minoria frustrada e zuadenta, incompetente no debate - pois tiveram a oportunidade de convencer sobre suas razões e não conseguiram - preterir o diálogo e tentar convencer pela força e pela truculência. Que interesses realmente defendiam essas pessoas? Eu não entendi. Concordo que o que ganhamos enquanto educadores não é justo. Há muito o que se conquistar, mas as reinvidicações devem ser ponderadas, alternando momentos de ações enérgicas - como a greve - e sentar à mesa para negociações dialogadas. Isso sim é prudente e conquistador.
Aos colegas da capital, companheiros educadores como nós do interior, nem superiores, nem inferiores, esclareço que a greve foi paralisada por trinta dias sem a presença de professores do interior do estado, em assembléia também, até que o governo apresentasse uma proposta. Cabe aqui uma indagação: Por que vocês não decidiram aí sozinhos pela continuidade e negociação mesmo em estado de greve? Falta eclarecimento sobre esse ponto também, não acham?
Parece-me que alguns professores da capital se julgam "os senhores da greve" e não é bem assim. A greve só teve a força que hoje se observa por que cidades como Sobral, Juazeiro, Crato, Iguatu, Crateús, dentre outras aderiram também e isso fui relevantemente positivo. Atribuir aos professores do interior o final da greve não é justo. A greve não era mais o instrumento de reividicação há algum tempo, quem não conseguia perceber isso era extremista e insensato.
Aqui em nossa escola, em assembléia geral, constituída por professores, alunos e pais, não aderimos à greve, a maioria preferiu manifestar o apoio a categoria com redução do horário nas aulas e esclarecimento a comunidade sobre nosso apoio irrestrito às propostas do movimento grevista. Por esse motivo, não nos sentimos à margem do movimento, ou contrários, manifestamos nosso apoio, respeitando a decisão da maioria, soberana em sua decisão. Em Fortaleza,na intitulada histórica assembéia, deveria ter sido assim, mas não foi. Por isso o meu repúdio e desaprovamento.
Minha solidariedade também ao colega Anizio Melo. Sua coragem encheu-me de orgulho e certeza de que você merece o cargo que ora exerce. Continue.
Att
Clébio Landim
Professor da Rede Pública do Estado
Interiorano, Matuto, mas não alienado.
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